O Jiu-Jitsu, com sua rica história e crescente popularidade em alguns países, tem sido alvo de debates acalorados sobre o porque não há a inclusão nos Jogos Olímpicos.
Apesar de seus inúmeros benefícios, a arte suave ainda não conquistou um lugar entre as modalidades olímpicas. Neste artigo, vou expor os motivos pelos quais acredito que o Jiu-Jitsu se tornaria um excelente acréscimo ao programa olímpico, além de analisar os desafios que impedem sua inclusão até o momento e o papel das federações atuais no desenvolvimento da modalidade.
Os Benefícios do Jiu-Jitsu como Esporte Olímpico
Popularidade Global
O Jiu-Jitsu transcendeu fronteiras e conquistou milhares de praticantes em diversos países, porém ainda não está popularizado em muitos lugares. A inclusão nos jogos seria uma ótima forma de disseminar o Jiu-Jitsu Globalmente para milhões de pessoas. Imagine o Jiu-Jitsu sendo transmitido para o mundo inteiro? Hoje pouquíssimas pessoas têm acesso aos eventos de Jiu-Jitsu, que ficam restritos a canais pagos e extremamente nichados.
Desenvolvimento de Atletas
Esportes Olímpicos têm o apoio do COB, contam com estrutura para treinos, viagens, salário e grandes empresas investindo e patrocinando, entre muitos outros benefícios.
Hoje no Jiu-Jitsu, é cada um por si e não existe nenhum incentivo e apoio aos atletas de base. Os profissionais só conseguem monetizar dando aulas para financiar os seus treinamentos. São aulas online, seminários e aulas presenciais para bancar suas viagens, inscrições ou alguns poucos eventos que pagam bem pouco e somente os campeões.
Ou seja, até o atleta chegar em um alto nível, ele tem que ganhar muitas competições para finalmente passarem a ser convidados para lutas casadas. Se colocarmos na ponta do lápis o que foi investido para o atleta estar lá, a conta não fecha para a grande maioria.
Você, profissional de Jiu Jitsu, teria o seu trabalho valorizado ao se tornar o Jiu Jitsu um Esporte Olímpico. Eu, Kra, cansei de perder patrocínio de grandes empresas pelo fato do Jiu Jitsu não ser Olímpico.
Comissão de Atletas
Uma Comissão de Atletas é fundamental para garantir que os interesses dos praticantes de Jiu-Jitsu sejam representados e defendidos. Através de sua atuação, uma comissão ativa pode contribuir para o desenvolvimento do esporte, a melhoria das condições de treinamento e competição e a construção de um futuro mais promissor para os atletas.
Exposição Mundial
A presença do Jiu-Jitsu nas Olimpíadas ampliaria significativamente sua visibilidade, inspirando novas gerações e contribuindo para seu crescimento global. Assim aumentaria consideravelmente o número de praticantes interessados em aprender a arte suave.
Academias mais cheias em todos os lugares do mundo pelo aumento da sua popularidade
A inclusão do Jiu-Jitsu nas Olimpíadas seria um catalisador para uma explosão global da modalidade, impulsionando a procura por academias em todos os cantos do mundo.
Nossos Atletas Ídolos Nacionais
A inclusão do surf e do skate nas Olimpíadas foi um divisor de águas para esses esportes, transformando atletas em verdadeiros ídolos nacionais. A exposição global e o prestígio olímpico catapultaram a popularidade dessas modalidades, inspirando uma nova geração de praticantes e atraindo a atenção de marcas e patrocinadores.
Mas afinal, o que muda na vida de um atleta após a Olimpíada? Conversando com um surfista ou skatista que participou dos Jogos, a resposta é unânime: a visibilidade e o impacto social são inegáveis, mas isto não apenas impulsiona a carreira individual dos atletas, como também contribui para o crescimento do esporte como um todo, democratizando o acesso e quebrando barreiras sociais.
Bolsas em escolas e faculdades pelo mundo
A trajetória de um atleta olímpico se estende para além das competições. A visibilidade e o prestígio conquistados nos Jogos Olímpicos abrem portas para diversas oportunidades, incluindo bolsas de estudo em universidades renomadas ao redor do mundo. Instituições de ensino superior, reconhecendo o valor do esporte e a dedicação desses atletas, oferecem programas especiais e benefícios exclusivos, como bolsas integrais, auxílio financeiro e facilidades para conciliar os estudos com a carreira esportiva. Essa valorização dos atletas olímpicos não apenas incentiva a formação acadêmica, mas também contribui para a construção de um futuro promissor após a carreira esportiva.
Forças Armadas e a inclusão do Jiu Jitsu nos jogos militares – mais uma forma de remuneração aos nossos atletas
A inclusão do Jiu-Jitsu nos Jogos Militares representa um marco importante para a valorização dos atletas das Forças Armadas. Ao proporcionar um palco global para a demonstração de suas habilidades e dedicação, os Jogos Militares se tornam uma excelente oportunidade para esses atletas conciliarem a carreira militar com a paixão pelo esporte. Além do reconhecimento e da honra de representar o país, a participação em eventos como este pode abrir portas para novas oportunidades, como bolsas de estudos, patrocínios e, em alguns casos, até mesmo promoções na carreira militar.
Pós-carreira
Muitas vezes, atletas olímpicos se tornam mentores e coaches para outros atletas, compartilhando seus conhecimentos e experiências. A participação nas Olimpíadas exige um alto nível de profissionalismo e organização. Essas habilidades são valiosas para qualquer carreira, seja dentro ou fora do esporte.
As Olimpíadas proporcionam a oportunidade de conhecer pessoas influentes de diversas áreas, expandindo a rede de contatos dos atletas e abrindo portas para novas oportunidades. Ex-atletas podem virar palestrantes, técnicos, ter algum cargo nas entidades e/ou ter suas academias cheias pela popularidade que a Olímpiada trará. Hoje o pós carreira do\jiu-\jitsu é resumido a dar aulas ou ir para o MMA.
O Papel das Federações e os Desafios que temos hoje
As federações de Jiu-Jitsu desempenham um papel crucial no desenvolvimento da modalidade quando seguem as diretrizes do COI. No entanto, a proliferação de diversas federações com regras e interesses distintos tem sido um dos principais obstáculos para a unificação do esporte e sua inclusão nas Olimpíadas.
Uma federação tem como natureza jurídica uma associação privada sem fins lucrativos.
Pontos críticos da maioria das Federações Atuais, segundo o meu ponto de vista:
- Falta de transparência: falta de transparência em relação ao uso dos recursos financeiros, com suspeitas de que uma grande parte dos valores arrecadados com eventos e taxas de inscrição seja destinada aos dirigentes e não à melhoria da modalidade e suporte ao atleta.
- Priorização de eventos em detrimento do desenvolvimento: Em busca de lucros, algumas federações organizam um grande número de eventos, muitas vezes sem a devida estrutura e investimento em atletas e árbitros. Sem retorno social algum e nenhum pagamento aos atletas.
- Falta de investimento em atletas: Nenhum recurso é destinados ao desenvolvimento de atletas de base , à formação de treinadores e à pesquisa científica sobre o Jiu-Jitsu e a projetos sociais.
- Conflitos de interesse: A existência de diversas federações com interesses divergentes dificulta a tomada de decisões importantes para o futuro da modalidade.
- Hoje a federacao internacioal nao e uma federacao de fato e sim uma empresa privada que faz eventos esportivos. Ou seja, ela nunca poderá se filiar ao COI.
- Faixa branca graduando faixa preta> é uma loucura pensar que uma pessoa sem experiência com o jiu possa graduar um mestre faixa coral? Sim. existe e é a presidente da federação do Rio.
Um Futuro Olímpico para o Jiu-Jitsu?
Considerando os benefícios do Jiu-Jitsu e a crescente demanda por sua inclusão nos Jogos Olímpicos, é inegável que a arte suave possui todos os requisitos para se tornar uma modalidade olímpica.
A unificação das regras, a resolução das questões comerciais e a contínua demonstração de sua popularidade e valor são passos essenciais para alcançar esse objetivo. No entanto, para que o Jiu-Jitsu possa ter um futuro promissor e alcançar seu pleno potencial, é fundamental que as federações priorizem o desenvolvimento da modalidade em detrimento de interesses particulares.
O Papel dos Atletas
Os atletas de Jiu-Jitsu desempenham um papel fundamental na luta pela inclusão da modalidade nos Jogos Olímpicos. São eles os principais atores e atrizes da modalidade e, portanto, os mais afetados pelas decisões tomadas pelas federações.
Visibilidade e Influência: Como figuras públicas, os atletas têm a capacidade de influenciar para que mudanças sejam feitas. Através de suas redes sociais, entrevistas e participação em eventos, podem gerar debates e conscientizar a comunidade sobre o assunto.
Representação: Os atletas podem e devem eleger representantes para atuarem em conselhos e comitês das federações, garantindo que suas vozes sejam ouvidas e que seus interesses sejam defendidos. Isso infelizmente não existe no JJ atual.
Atletas de sucesso servem como inspiração para as novas gerações e podem incentivar a prática do Jiu-Jitsu em todo o mundo. Ao demonstrarem profissionalismo e dedicação, contribuem para o crescimento e a valorização da modalidade.
Nossos atletas hoje não tem apoio de grandes empresas, têm pouquíssima visibilidade.
Para um futuro mais justo e equitativo para o Jiu-Jitsu, é fundamental:
- Transparência nas finanças das federações: Os atletas têm o direito de saber como os recursos financeiros são utilizados.
- Eleições democráticas para conselhos e diretorias
- Democratização das decisões: Os atletas devem ter maior participação nas decisões que afetam a modalidade.
- Criação oficial da modalidade Para Jiu-Jitsu
- Investimento em atletas de base: É preciso garantir que os novos talentos tenham oportunidades de desenvolvimento e estrutura.
- Proteção dos direitos dos atletas: É necessário criar mecanismos para proteger os atletas de abusos e garantir que sejam tratados de forma justa.
- Uma Federação internacional sem fins lucrativos.
Ao trabalhar juntos, atletas, treinadores, árbitros e dirigentes podem construir um futuro brilhante para o Jiu-Jitsu. Tornar-se olímpico será uma consequência para melhorar as condições de prática e desenvolvimento de atletas desde a base até a profissionalização!
Perguntas frequentes:
Vai perder a essência ao virar Olímpico?
Na prática, a verdadeira essência para a qual o Jiu jitsu foi criado e desenvolvido é a Defesa Pessoal, o que já se perdeu muito ao longo dos anos. Mas a verdadeira essência do Jiu-Jitsu reside em seus princípios filosóficos, como respeito, humildade e superação, que transcendem a aplicação prática das técnicas.
Cabe a cada professor transmitir esses valores aos seus alunos, garantindo que a filosofia do Jiu-Jitsu seja preservada e passada adiante para as próximas gerações. A competição olímpica pode até mesmo servir como um catalisador para a disseminação desses valores, inspirando novos praticantes a buscar o aprimoramento pessoal e a conexão com a comunidade do Jiu-Jitsu.
Vamos perder o controle sobre o esporte?
A ideia de que a comunidade perderá o controle sobre o Jiu-Jitsu ao se tornar olímpico é um equívoco comum, mas que não se sustenta.
A verdade é que, hoje em dia, o controle sobre o Jiu-Jitsu já está fragmentado e concentrado nas mãos de um número limitado de entidades, muitas vezes chamadas de federações, mas que na realidade funcionam mais como empresas privadas. Essas entidades detêm o poder de definir regras, organizar competições e, em muitos casos, lucrar com o esporte.
Vai parar de ter eventos remunerados?
A inclusão do Jiu-Jitsu nas Olimpíadas não eliminará os eventos remunerados, mas sim abrirá novas possibilidades para o desenvolvimento do esporte e a valorização dos atletas. É possível que ocorram algumas mudanças no cenário competitivo, não fará com que os eventos remunerados desapareçam completamente. Na verdade, a profissionalização do Jiu-Jitsu, impulsionada pela sua inclusão nas Olimpíadas, pode levar a um crescimento ainda maior do esporte e a um aumento das oportunidades de ganhos financeiros para os atletas.
Vai ter politicagem se virar Olímpico?
Com certeza, a politicagem no Jiu-Jitsu já é uma realidade presente. Em resumo, a olimpízação do Jiu-Jitsu não é a solução mágica para todos os problemas do esporte, mas pode ser um passo importante para torná-lo mais justo, transparente e democrático. É fundamental que a comunidade do Jiu-Jitsu se organize e participe ativamente desse processo, buscando garantir que os benefícios da olimpízação sejam maximizados e que os riscos de maior politização sejam minimizados.
O Judô não tem academias bem sucedidas porque é Olímpico?
Ao invés de atribuir o sucesso ou fracasso de academias de judô à sua participação nas Olimpíadas, é mais preciso analisar a forma como cada modalidade se estruturou comercialmente ao longo dos anos. O Jiu-Jitsu, por exemplo, desenvolveu um modelo de negócio mais focado no empreendedorismo individual, com a criação de academias independentes e a figura do professor como um verdadeiro empresário. Já o judô, historicamente mais ligado a federações e associações, pode ter se concentrado menos no desenvolvimento de um modelo de negócio escalável.
Em resumo: o sucesso comercial de uma academia não está diretamente ligado à sua participação em eventos olímpicos, mas sim à sua capacidade de se adaptar às demandas do mercado e oferecer um serviço de qualidade.
A regra olímpica vai limitar o Jiu Jitsu?
A inclusão do Jiu-Jitsu nas Olimpíadas não significa a padronização ou a limitação do esporte. As regras olímpicas certamente terão um impacto na forma como os atletas de alto rendimento treinam e competem, mas a prática do Jiu-Jitsu como um todo continuará a se desenvolver de forma autônoma e diversificada. A comunidade do Jiu-Jitsu é resiliente e adaptável, e certamente encontrará formas de conciliar as demandas do esporte olímpico com a preservação de sua rica tradição e diversidade.